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Países latino-americanos terão piora do perfil de crédito até 2019, diz Moody's

Publicado em Notícias no dia 26/01/2018

Países latino-americanos terão piora do perfil de crédito até 2019, diz Moody's

A piora do quadro fiscal de países da América Latina vai continuar durante os próximos dois anos, dando sequência aos vários choques já sentidos em 2015 e 2016, que "enfraqueceram as perspectivas de crescimento e pioraram as métricas de dívida soberana na região", conclui um relatório da agência de risco Moody’s.

“Esperamos que o aumento da dívida e dos encargos dos juros limitarão a capacidade dos países latino-americanos de reagir a novos choques potenciais uma vez que a situação fiscal se agrava”, declarou no documento o analista Renzo Merino.

“Prevemos que para 2018 e 2019 os níveis de dívida em relação ao PIB serão 9 pontos percentuais, em média, mais altos que os níveis de 2013 e 2014, enquanto os pagamentos de juros consumirão dois pontos porcentuais adicionais da receita", diz.

Segundo o relatório, os governos que registrarão os maiores aumentos de dívida até 2019 incluem Brasil, Equador e Argentina. Já Colômbia, Argentina e Equador terão as maiores altas de encargos de juros.

"Além disso, tendo em vista a previsão para as métricas de dívida desses países, a Moody’s conclui que Brasil, Colômbia e Costa Rica são os países com o menor espaço fiscal na região. Embora Paraguai, Chile e Peru tenham registrado uma deterioração de seus índices de dívida, estes países continuam apresentando níveis elevados de capacidade fiscal", avalia a agência.

O peso maior dos juros sobre a receita dos governos resulta principalmente de uma diminuição desta receita, pela queda dos ganhos com as commodities, conclui a Moody's.

"Apesar de vários governos terem implementado medidas para elevar a receita tributária, o risco está relacionado ao aumento dos custos dos empréstimos em consequência da normalização das condições de política monetária nos países desenvolvidos nos próximos anos, o que reverteria o declínio do custo de dívida visto até 2016".

Segundo a Moody's, esforços de consolidação do cenário fiscal "serão fundamentais para interromper a deterioração das métricas de dívida dos governos na região e suportar a qualidade de crédito soberana". "Embora a maioria dos governos tenha se concentrado em medidas para melhorar a receita, a rigidez das despesas e seu crescimento geral continuam a ser desafios que precisam ser efetivamente endereçados", aponta.

Fonte: G1 Economia

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