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Inflação anual fica abaixo do piso da meta pela primeira vez

Publicado em Notícias no dia 10/01/2018

Inflação anual fica abaixo do piso da meta pela primeira vez

 

A inflação no Brasil foi de 0,44% em dezembro, a maior taxa do ano. Ainda assim, a inflação fechou 2017 em 2,95%, a menor taxa em quase duas décadas.

O acumulado anual foi o menor desde 1998, quando o IPCA foi de apenas 1,65%, e ficou 3,34 pontos percentuais abaixo dos 6,29% registrados em 2016. Saiba mais: A Mongeral Aegon te explica tudo o que você precisa saber sobre IPCA

Os números são medidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e foram divulgados na manhã desta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A expectativa do mercado, na mediana de 26 estimativas compiladas pela Reuters, era de taxa mensal de 0,30% e taxa anual de 2,8%.

A meta para o IPCA de 2017 era de 4,5% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima (6%) ou para baixo (3%).

Isso significa que a inflação ficou abaixo do piso da meta do governo pela primeira vez desde que o regime de metas de inflação foi estabelecido em 1999.

O descumprimento obriga o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, a escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, explicando o que aconteceu e o que está sendo feito para trazer a inflação de volta para a meta.

Grupos

O grande responsável pela inflação baixa de 2017 foi o grupo Alimentação e Bebidas, que responde por cerca de um quarto do índice e teve queda acumulada de 1,87% no ano.

A primeira deflação alimentícia anual de todo o Plano Real foi consequência de uma safra 30% maior do que a do ano anterior, segundo Fernando Gonçalves, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

As frutas, por exemplo, caíram 16,52% e tiveram, sozinhas, o maior impacto negativo no acumulado anual: 0,19 ponto percentual negativo.

Na outra ponta, os três grupos que mais puxaram a inflação para cima foram Habitação, Transportes e Saúde e Cuidados Pessoais. Juntos, eles representaram 2,45 p.p., ou 83% da taxa final.

Em Habitação, a alta maior do que no ano anterior foi impactada por itens importantes no Orçamento como gás de botijão (alta de 16%), taxa de água e esgoto (10,52%) e energia elétrica (10,35%).

Em Saúde e Cuidados Pessoais, a pressão veio de grupos que pesam no bolso do brasileiro como os planos de saúde (alta de 13,53%) e dos remédios (4,44%).

Os Transportes, segundo grupo com mais peso no IPCA, teve como destaque a alta de 10,32% na gasolina.

A Petrobras começou em 03 de julho uma nova política de reajustes mais frequentes para acompanhar a taxa de câmbio e as cotações internacionais de petróleo e derivados.

Daquela data até 28 de dezembro, foram 115 reajustes nos preços da gasolina, acumulando 25,49% de aumento. Em julho também houve alta da alíquota do PIS/COFINS dos combustíveis.

GrupoVariação 2016, em %Variação 2017, em %
Índice Geral 6,29 2,95
Alimentação e Bebidas 8,62 -1,87
Habitação 2,85 6,26
Artigos de Residência 3,41 -1,48
Vestuário 3,55 2,88
Transportes 4,22 4,10
Saúde e cuidados pessoais 11,04 6,52
Despesas pessoais 8,00 4,39
Educação 8,86 7,11
Comunicação 1,27 1,76

Fonte: Exame

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